Thoughts from Ísis

Pensamentos abruptos, vindos do eu de alguém que não quer deixar a vida passar sem que os outros saibam o que pensa!

terça-feira, maio 09, 2006

Amor à distância de um ok

Um ok de enviar uma mensagem escrita pelo telemóvel, um ok de enviar uma mensagem instantânea em um chat cibernético, um ok de aceitar uma chamada telefónica, o Amor à distância de um ok!
O Amor é sempre sofrido, muitas vezes muito mais sofrido do que vivido, porque até quando se está bem com o Amor, temos tendência a estar mais insatisfeitos. Pedimos mais e mais, sem olhar ao razoável. Tornamo-nos autênticas máquinas com consumos altíssimos e que muitas das vezes o Amor não consegue alimentar. Mas o porquê deste pensamento, porquê à distância de um ok…porque se o Amor por si só é sofrido, o amor à distância é mesmo muito provavelmente fatal a um ser. Não é impossível vencer a distância mas é simplesmente muito difícil. O ser Humano tem tendência a ser muito preguiçoso, temos tendência a seguir sempre a forma mais fácil e cómoda de atingir as nossas metas individuais, mas também de grupo. Quanto mais simples melhor, mas ao longo da história as pessoas desaprenderam a serem persistentes, convictas das nossas crenças, certos dos nossos objectivos. Fazemos o que alguém acha bem, o que o ordenado permite, o que a sociedade nos aconselha. Na verdade o Amor é a única área em que temos de fazer tudo ao contrário do que era suposto ser feito. Não pudemos ir pelo convencional, mas sim pelo inesperado, não podemos ir pelo modo mais fácil mas por certo, quer queiramos ou não, pelo caminho que dá mais luta, que é mais perigoso. No Amor, não existe nenhuma barreira divisível do que é ou não permitido. No entanto o amor não consegue ultrapassar todas as barreiras como se costuma a dizer, e a barreira da distância é uma das mais complicadas. Se há coisa que me magoa é alguém meu amigo me dizer que tem um Amor distante. Dói, magoa, marca, modifica o ser, quer seja homem ou mulher, amar à distância muda tudo. Os momentos que não podíamos ter perdido, as musicas que tínhamos de ter dançado, as lágrimas que deviam ter caído, na presença da outra metade, assombram-nos o resto da vida, vêm sempre ao de cima nas discussões, são sempre um ponto fraco na relação. São sempre o espinho da rosa. Não vale a pena dizer, “comigo será diferente”, verá que é tão humano e impotente para estes directórios como todos os outros. Vai sofrer, vais encher-se de dúvidas, os ciúmes virão, enfim, uma avalanche de coisas menos boas, que irão perseguir, e se o Amor for mesmo mútuo, então dobra tudo que digo, pois serão dois na mesma situação, não falarão sobre isto um com o outro mas mais tarde ou mais cedo nem que seja com a almofada numa noite solitária vai questionar-se se a outra parte cedeu. Se estará a ser válido esse sentimento que vos une ou se será só um a viver um conto de fadas que agradavelmente criou para se sentir calmo e protegido por um abraço que não existe, só na sua imaginação. Dói sentir o cheiro de alguém, simplesmente por ouvir a sua voz, magoa ouvir a respiração e ter ilusões de a sentir a percorrer o pescoço, mata saber que uma lágrima corre e a mão não a alcança, num gesto de carinho, limpá-la para mais rápido esquecê-la. Num Amor à distância não existe nada disso, existe a angustia de contar os meses, dias, horas, minutos e segundos para que tudo se torne físico, forte, inesquecível, para que os dois seres se unam, com uma única certeza, a de que será muito pouco tempo para compensar o tempo de espera. Para que todos esses prazeres se tornem apenas momentos em memória, para não esquecer e ajudar a sobreviver até que o maldito tempo passe para uma nova oportunidade de reencontro. Não há lugar para pensarmos em nós, mas o simples facto de se saber que do outro lado do “ok” está o amor que sofre também, faz desabar os alicerces dos nossos pequenos mundos, a estabilidade que nos sustenta desaba e começa uma verdadeira viagem de montanha russa, marcada nos pontos altos pelos momentos de reencontros, a descer vertiginosamente após as despedidas para voltar a subir nos telefonemas, mensagens, cair assim que se desliga e voltar a ir até ao mínimo possível, ou impossível, sem se saber como se sobreviveu a uma noite de choro compulsivo, a um dia de trabalho infernal, aos olhares indiscretos que outros lançam às olheiras que se carrega, não os podemos culpar, afinal muitos desconhecem esta realidade do amor, muito poucos passam por ela, e muitos menos retiram a verdadeira aprendizagem que ela dá.
Será forte para sobreviver a tudo isto sem modificares a maneira de ser? Não, não é, vai ser um dos ensinamentos mais fortes o que está a viver, e acredita que essa pessoa estará muitas mais vezes no pensamento do que desejaria, aparecerá muitas mais vezes nos sonhos do que imaginaria, essas pessoas por estarem longe fazem muito mais falta que muitas pessoas que existem de volta da uma vida. Esse amor será o maior pulo para atingir o estatuto de adulto, e atenção, adulto não está relacionado com a idade. Será um adulto porque já conhece o sofrimento de um Amor à distância de um ok…
Espero que alguém perceba devidamente o que quero dizer, e por nunca ter amado à distância, não posso dizer muito mais.
Pensem bem nestes casos, nestas vida que estão em jogo todos os dias sem que ninguém lhes dê grande valor…
Enquanto vou organizando melhor estes pensamentos “brutais” de Ísis.

segunda-feira, maio 08, 2006

Teimosia, a cura e a doença

A teimosia é uma doença, que uma vez instalada nas profundezas de um ser, é devastadora. Pode ter consequências inimagináveis à priori, pode ser fatal até, obviamente, que apenas em extremas condições.
A sua única cura é ela mesma, a própria teimosia, como sua oponente, em outro ser que se impõe doença.
Esse outro ser pode unicamente estar a ser teimoso para impedir o outro indivíduo de se deixar levar pela doença ou pode ele próprio estar afectado por esta, certamente, subtil doença.
A teimosia não permite a ser aperceber-se da realidade, não o permite aceitar uma opinião contrária e pior que tudo não o permite dar a razão a quem a possui. Simplesmente não tem a percepção de que não é “dono e senhor” da verdade ou da razão.
Todas as pessoas devem e têm de ter, no seu eu, teimosia, no entanto esta faceta tem de ser atentamente controlada. Ao mínimo descuido serve-se da nossa débil mente Humana para nos controlar a vontade, os valores, o ser.
Deste modo consegue controlar as relações que estabelecemos, as decisões que tomamos, as reacções que temos, a vida que levamos.
Consegue a muitos, possuir como se de loucura se tratasse.
No fundo, na teimosia, doença para muitos imperceptível e incurável, o que marca a diferença de que vence ou é vencido, é se a controlamos ou se é ela que nos controla. Como quase tudo na vida, a diferença é o modo como controlamos as ferramentas que temos à nossa disposição.
Esta é uma ferramenta, em muitas ocasiões, imprescindível, decisiva no sucesso, não se pode é de modo algum perder o controlo.
Ambição é uma variante de teimosia, olhem em volta e vejam no que ela torna algumas pessoas… vejam se o querem para vós, se essas pessoas que perderam o controlo, são mentes pobres ou mentes brilhantes?! Posso relembrar o exemplo do escândalo da pedofilia na Casa Pia, e de todos os famosos ou representantes do nosso pais, como pessoas respeitadas aqui e no estrangeiro, onde com o seu privilegiado estatuto, o melhor que conseguiram foi violar menores, traficar crianças marcando-as para o resto da sua vida, mantendo a sua vida de “aparente normalidade” enganando tudo o todos. Será que com esse estatuto não poderiam ter tornado este nosso mundo um pouco melhor em vez de o terem ajudado a destruir, pois cada personalidade infantil que se destrói, destrói-se também um sonho de tornar o mundo melhor. Se tantas vezes se ouve que as crianças são os futuros donos do mundo, então porque não lhes dar um bom exemplo para não as desfiar a fazer melhor do que nós? Podíamos antes mostrar o que de bom se pode fazer, desafiando-as a fazerem muito melhor. Mas no mundo de hoje o que uma criança ouve durante o seu jantar na televisão que vê, são noticias de raptos, mortes, guerras, padres acusados de violar crianças, professores, políticos, etc. alguém já pensou em colocar o símbolo de maiores de 18 anos durante os telejornais da hora de almoço e de jantar? Será que alguém se lembrou que é essa a ideia que as nossas crianças têm do mundo onde estão a crescer? De que ainda não têm idade para lutar mas que não vale a pena, pois a guerra para um mundo melhor é uma luta perdida?!?! Será que ainda não houve nenhum psicólogo a preocupar-se em como incentivar as crianças para sobreviverem e melhorarem o mundo delas? Pois claro que não, elas são o nosso amanho, e como amanhã ainda está para vir, não vale a pena preocuparmo-nos hoje…segundo a lei da preguiça pela qual todos nos regemos!
Estarei errada, confusa, serei exagerada, lunática?!
Deixo a resposta em aberto…
Enquanto vou organizando melhor estes pensamentos “brutais” de Ísis.