Introdução

Nas memórias das pessoas encontram-se sempre os bons e os maus momentos por que ela passou.
Eu como milhares de pessoas em Portugal, utilizo frequentemente a expressão “A minha vida dava um filme”, ou em momentos muito críticos “ A minha vida parece uma novela mexicana dobrada em brasileiro e com legendas em Português”. Esta expressão traduz no fundo que a fase pela qual se está a passar parece irreal, como num filme mas com requintes de uma má qualidade extrema.
A esta altura da minha vida tenho 21 anos e estou provavelmente a passar pela centésima vez uma destas fases. Já havia pensado e começado a escrever por vezes textos que não eram nada mais que pensamentos confusos que não tinham encontrado as letras certas na ponta dos meus dedos, para os tornar perceptíveis a outras pessoas. A diferença entre um bom e um mau escritor é simplesmente se consegue que as pessoas identifiquem as suas vivências nas letras que lêem, por isso existem tantos escritores ditos bons e tão diferentes uns dos outros, porque as pessoas que os lêem são apenas fruto de uma realidade parecida à descrita em seus livros.
Não escrevo este texto com intenção de que alguém o venha a ler, mas como nunca se sabe… Nem sequer sei se fica do tamanho de uma página ou do tamanho da bíblia, apenas sei que neste momento precisava de exprimir tudo o que a minha mente tem lá dentro. Até porque tenho sentido a minha cabeça latejar e a sensação que tenho é de que se tenho um único e simples pensamento a mais dos que tenho agora, o meu cérebro irá explodir.
Quantas e quantas vezes não se considerou, ao longo da história, que certos indivíduos (utópicos por certo) eram loucos, obras do diabo ou que tinham poderes mágicos, e essas pessoas foram condenadas à morte, excluídas da comunidade ou simplesmente internadas em algum hospício até que a clausura tornasse a mentira em realidade, acabando por enlouquecer.
No entanto os verdadeiros loucos andam pura e simplesmente por aí. Aqui e ali a infernizarem as pessoas que os rodeiam, a fazê-las terem actos de loucura como se de loucos se tratassem. Mas, o que protege afinal estes loucos?! A sociedade por si só?! Os amigos que ignoram os sinais?! Os pais que lhes consideram “especiais”?! Como conseguem eles não serem detectados e afastados do resto da sociedade como se de um cancro se tratassem?!
Simplesmente são consideradas dentro dos limites normais da sanidade mental, limites que com a história foram considerados normais e seguros aos que lhes rodeiam. Eu não sou psicóloga mas de uma coisa tenho a certeza muitas destas pessoas ditas normais conseguem destruir sonhos, tornar as outras pessoas “amargas” e algumas vezes em “mentes pobres” conseguem fazê-las passarem o limite estabelecido e cometerem loucuras impensáveis.
A mim o que mais me magoa nas pessoas é o cinismo. A nossa sociedade simplesmente cria as pessoas para serem cínicas.
Afinal, o que é que nós estamos à espera das pessoas que nos rodeiam? Ninguém é perfeito, ninguém tem os seus valores definidos como os valores perfeitos, o que permite a compreensão por parte dos que nos ouvem é apenas se essa outra pessoa tem alguns dos seus valores em sintonia connosco. Mas sempre que alguém tenta algo que sabe que não terá uma boa recepção, tem de estar preparado para ter uma pequena rejeição ou presenciar uma brutal rejeição. Se um amigo diz a outro que acha má uma atitude que teve é acusado de intromissão, muito raramente consegue receber um sorriso, ou talvez até um obrigado, por ter sido sincero. O cinismo afecta-nos desde as nossas primeiras aprendizagens, desde muito pequenos, posso referir, nomeadamente uma situação em que quando somos crianças, ao dar importância em demasia a pequeníssimas coisas, sentimo-nos extremamente desolados com uma negação, uma resposta de um adulto / familiar menos compreensiva ou atenciosa, essa criança chora, chora como se desse capricho a sua vida dependesse. Qual é a reacção dos adultos, mais frequente, a estes casos? Pois… Tentam convencer a criança de que chorar não adianta, chorar para quê se ela não se magoou, não foi castigada ou não levou aquela “palmadinha” por fazer birra. E muitos pais ainda terminam a questão com a célebre frase “ E se não paras de chorar levas, que assim ao menos tens razão para chorar!”, Oh por favor, cada vez que oiço isto num café, centro comercial ou hipermercado, apetece-me mesmo descompô-los! Existe a solução certa para cada situação em que a criança se coloca, porque não dar-lhe as respostas que correspondem à realidade, e sim, como somos todos imperfeitos, caso se cometa um acto injusto com uma criança porquê não pedir desculpa a criança?!?! Muitas vezes esperei dias por essa palavra, mas não chegava a ouvi-la da parte dos adultos! Pior que isso, quantas vezes ainda hoje espero por essas pequenas atitudes sinceras, por parte dos que me rodeiam, e nunca as chego a ouvir. Este é um dos exemplos que me levam a considerar que a educação incutida pela nossa sociedade é em muito baseada no cinismo. Mas não seríamos todos melhores pessoas sem o cinismo?! Claro que não vou ao ponto de querer que se tome este tipo de atitude em todas as situações, mas penso que entre amigos, e atenção não estou a falar apenas dos nossos grandes amigos, mas também dos conhecidos, colegas de trabalho, pessoas que já conhecem o nosso feitio e nós o delas, penso que tornaria muita coisa muito, mas muito mais simples e cortávamos 90% das hipóteses de gerar mal entendidos.
Afinal, quem me consegue responder: O que é que ganhamos ao alimentar esse vicio gigante e inconsciente do cinismo?
Deixo a resposta em aberto….
Eu como milhares de pessoas em Portugal, utilizo frequentemente a expressão “A minha vida dava um filme”, ou em momentos muito críticos “ A minha vida parece uma novela mexicana dobrada em brasileiro e com legendas em Português”. Esta expressão traduz no fundo que a fase pela qual se está a passar parece irreal, como num filme mas com requintes de uma má qualidade extrema.
A esta altura da minha vida tenho 21 anos e estou provavelmente a passar pela centésima vez uma destas fases. Já havia pensado e começado a escrever por vezes textos que não eram nada mais que pensamentos confusos que não tinham encontrado as letras certas na ponta dos meus dedos, para os tornar perceptíveis a outras pessoas. A diferença entre um bom e um mau escritor é simplesmente se consegue que as pessoas identifiquem as suas vivências nas letras que lêem, por isso existem tantos escritores ditos bons e tão diferentes uns dos outros, porque as pessoas que os lêem são apenas fruto de uma realidade parecida à descrita em seus livros.
Não escrevo este texto com intenção de que alguém o venha a ler, mas como nunca se sabe… Nem sequer sei se fica do tamanho de uma página ou do tamanho da bíblia, apenas sei que neste momento precisava de exprimir tudo o que a minha mente tem lá dentro. Até porque tenho sentido a minha cabeça latejar e a sensação que tenho é de que se tenho um único e simples pensamento a mais dos que tenho agora, o meu cérebro irá explodir.
Quantas e quantas vezes não se considerou, ao longo da história, que certos indivíduos (utópicos por certo) eram loucos, obras do diabo ou que tinham poderes mágicos, e essas pessoas foram condenadas à morte, excluídas da comunidade ou simplesmente internadas em algum hospício até que a clausura tornasse a mentira em realidade, acabando por enlouquecer.
No entanto os verdadeiros loucos andam pura e simplesmente por aí. Aqui e ali a infernizarem as pessoas que os rodeiam, a fazê-las terem actos de loucura como se de loucos se tratassem. Mas, o que protege afinal estes loucos?! A sociedade por si só?! Os amigos que ignoram os sinais?! Os pais que lhes consideram “especiais”?! Como conseguem eles não serem detectados e afastados do resto da sociedade como se de um cancro se tratassem?!
Simplesmente são consideradas dentro dos limites normais da sanidade mental, limites que com a história foram considerados normais e seguros aos que lhes rodeiam. Eu não sou psicóloga mas de uma coisa tenho a certeza muitas destas pessoas ditas normais conseguem destruir sonhos, tornar as outras pessoas “amargas” e algumas vezes em “mentes pobres” conseguem fazê-las passarem o limite estabelecido e cometerem loucuras impensáveis.
A mim o que mais me magoa nas pessoas é o cinismo. A nossa sociedade simplesmente cria as pessoas para serem cínicas.
Afinal, o que é que nós estamos à espera das pessoas que nos rodeiam? Ninguém é perfeito, ninguém tem os seus valores definidos como os valores perfeitos, o que permite a compreensão por parte dos que nos ouvem é apenas se essa outra pessoa tem alguns dos seus valores em sintonia connosco. Mas sempre que alguém tenta algo que sabe que não terá uma boa recepção, tem de estar preparado para ter uma pequena rejeição ou presenciar uma brutal rejeição. Se um amigo diz a outro que acha má uma atitude que teve é acusado de intromissão, muito raramente consegue receber um sorriso, ou talvez até um obrigado, por ter sido sincero. O cinismo afecta-nos desde as nossas primeiras aprendizagens, desde muito pequenos, posso referir, nomeadamente uma situação em que quando somos crianças, ao dar importância em demasia a pequeníssimas coisas, sentimo-nos extremamente desolados com uma negação, uma resposta de um adulto / familiar menos compreensiva ou atenciosa, essa criança chora, chora como se desse capricho a sua vida dependesse. Qual é a reacção dos adultos, mais frequente, a estes casos? Pois… Tentam convencer a criança de que chorar não adianta, chorar para quê se ela não se magoou, não foi castigada ou não levou aquela “palmadinha” por fazer birra. E muitos pais ainda terminam a questão com a célebre frase “ E se não paras de chorar levas, que assim ao menos tens razão para chorar!”, Oh por favor, cada vez que oiço isto num café, centro comercial ou hipermercado, apetece-me mesmo descompô-los! Existe a solução certa para cada situação em que a criança se coloca, porque não dar-lhe as respostas que correspondem à realidade, e sim, como somos todos imperfeitos, caso se cometa um acto injusto com uma criança porquê não pedir desculpa a criança?!?! Muitas vezes esperei dias por essa palavra, mas não chegava a ouvi-la da parte dos adultos! Pior que isso, quantas vezes ainda hoje espero por essas pequenas atitudes sinceras, por parte dos que me rodeiam, e nunca as chego a ouvir. Este é um dos exemplos que me levam a considerar que a educação incutida pela nossa sociedade é em muito baseada no cinismo. Mas não seríamos todos melhores pessoas sem o cinismo?! Claro que não vou ao ponto de querer que se tome este tipo de atitude em todas as situações, mas penso que entre amigos, e atenção não estou a falar apenas dos nossos grandes amigos, mas também dos conhecidos, colegas de trabalho, pessoas que já conhecem o nosso feitio e nós o delas, penso que tornaria muita coisa muito, mas muito mais simples e cortávamos 90% das hipóteses de gerar mal entendidos.
Afinal, quem me consegue responder: O que é que ganhamos ao alimentar esse vicio gigante e inconsciente do cinismo?
Deixo a resposta em aberto….
Enquanto vou organizando melhor estes pensamentos “brutais” de Ísis.
